quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Lamento Constante


LAMENTO CONSTANTE


I
São tantos espaços vazios
E não há o que colocar
Falta amor, falta carinho
Falta o chão onde vou pisar
Dos doces beijos que já não sinto
Uma leve mão a me guiar
É a doce brisa que vem vindo
É o vento a me soprar
O dia quente é um desatino
Sofro a intensidade do luar
E sobre anseios eu convido
O amor a me visitar
Tão rápido e tão indelicado
Se foi, me deixando a delirar
Entre sonetos, odes e poesias
Na esperança de continuar
Criar sonhos, cultivar esperança
Cultivar alguém para esperar
Amenizando dores, pescando ilusões
Acho que esse dia pode não mais chegar

II
Deitei-me na cama
Um anjo veio me dizer:
-Calma, pois quem amas
Pode um dia aparecer!
-Anjo maldito!
Aumenta minhas esperanças
Anjo perverso!
Não toque em minhas tranças!
Já me esqueci de escrever
Já não consigo entender
Procuro por um amor que não existe
Procuro o bom que não há em você
Eu dito o ritmo
Mas o compasso é seu
Nem toda gargalhada é um sorriso
Nem todo amor me pertenceu
Me perturba a sua falta
Me esclarece sua presença
E dos romances que já li
Já aumentou minha descrença
O amor pode ser abstrato
Talvez se torne confusão
Com o tempo vira ódio
Depois se transforma em ilusão
Escravo do não saber
Objeto do instinto sobrenatural
Minha chama pelo amor foi perdida
Me escondi como se fosse um animal

III
E o anjo me veio de outra forma
Totalmente angelical
Num corpo de bailarina
Escultura fenomenal
Com os olhos amendoados
E os lindos cabelos compridos encaracolados
Louro, místico e presunçoso
Me senti nele emaranhado
Seus lábios carnudos
Da cor do sangue mais vermelho
E os dentes no mais maroto sorriso
Queria mostrar-me no espelho
Sua cútis pálida e seus dedos finos
Seu abraço e seu amor
Despediu-se dos meus sonhos
Me provocando toda essa dor

IV
-Não posso ficar do seu lado
Sou um ser celestial
E apesar de meu amado
Pra sempre serás um mortal!
-Suas palavras se tornam
Agulhas em meu coração
Me causam desconsolo
E me garantem a ingratidão
Como posso depois de conhecer o amor
Abandonar a vida que sempre quis?
Tão simples, tão querida
Pode ser o que me faria feliz
-A base de tudo é o tempo
E o destino é algo impossível de se mudar
Se for pra ser será
Se não for para ficar irei voltar
-Acabarei com a minha vida
Isso será a solução
Irei lhe encontrar no paraíso celeste
E poderemos viver essa paixão
-Não sejas tolo e impreciso
Os suicidas pra cá não subirão
Te sobrariam as tristes ruínas
Do amor na escuridão
-E o que farei?
Não me resta pensamento
Depois de saber que o amor existe
Só posso viver em total lamento
-Os anjos também choram!
Mas os nossos dias não existem
Vivemos em pensamentos
Que em nós pra sempre resistem
Os anjos também amam!
E isso não posso omitir
Diferente de tu, humano!
Que sabes tão bem mentir
Os anjos também sofrem!
Há amargura em fazer alguém feliz
Nós nos envolvemos
Para realizar o que quis
-Como pode realizar o que desejo
Se não pode ficar perto de mim?
Viver sob todo esse anseio
Se tornará o meu fim!
-Acalma-te meu amor
Pois agora irei falar
Tudo o que chamou de dor
Foi o que veio a desejar
O que existe de bom
Não posso te dar
Te darei agonias e tristezas
E um amor para chorar
Não existe dor mais forte
Do que a provocada pelo amor
Infelizmente sigo ordens
E são mediadas pelo Senhor
-Quem é Deus atrás desse céu?
Como pode me deixar em agonia
Sofrendo com as lembranças
Que se vão com a ventania?
-Ele age de formas misteriosas
Sua vontade é divina
Deus é amor, benevolência
Mas há algo que atina
-Como pode ser Ele amor
E não me deixar amar?
Por que essa violência
No jeito de me castigar?
-O castigo não é teu
É meu na verdade
Pois terei que chorar no seu túmulo
Por toda a eternidade

V
Depois de um doce beijo
Meus lábios embranqueceram
E todos os meus desejos
Sem demora me esqueceram
A luz e o anjo foram embora
E me deixaram as lembranças
São poucas as horas passadas
Dessa maldita esperança
Os dias são mais curtos
As noites mais escassas
E vivo com os vultos
De todos os meus fantasmas
Sei que quando morrer
Não sentirei mais dor
Mas aquele anjo que não morre
Só viverá desse amor
Tudo tem seus motivos
Tudo tem sua razão
Se não posso entender Deus
Como posso entender o coração?
Justos e injustos...
Leais e traidores...
Anjos e demônios...
Caça e caçadores...
E a meu amado anjo
Não quero lhe ver chorar
Mas infelizmente minha missão
É saudades lhe deixar...



Celso Kadora (04/02/03)

2 comentários:

Anellise d'Ávila Caminha disse...

Oi Amigooooo

Meu Deus do céu, que coisa mias linda esse poema!!!
Cheguei a chorar!!!!
Tavas bem inspirado hein???
bjos e até amanhã...hehehehe

regina disse...

Oi amigo....
Poxa me emocionou...
Parabéns...........
Nossa vç tem um dom....
bjkas...